The Last of Us não é apenas um peso-pesado do PlayStation criado pela Naughty Dog; a franquia cravou de vez seu espaço na cultura pop com a adaptação da HBO comandada por Neil Druckmann e Craig Mazin. A premissa central é aquele cenário distópico que a gente já aprendeu a temer: a humanidade foi parar no buraco por conta da pandemia do fungo Cordyceps. Quem entra em contato com a infecção perde o controle e se torna uma carcaça violenta, movida por uma fome instintiva e brutal. É nesse caos absoluto que Joel e Ellie atravessam um Estados Unidos em ruínas, tentando agarrar a chance quase nula de encontrar uma cura.
Mas a genialidade do universo está em como essa ameaça funciona. A infecção não é estática, o fungo age no hospedeiro e vai evoluindo ao longo do tempo, gerando mutações cada vez mais letais. Logo de cara, os infectados mais recentes ainda mantêm o formato humano e usam a agilidade como trunfo. A inteligência já foi pro ralo, então eles simplesmente partem para cima da presa em bando, no puro instinto, sem elaborar muito o que estão fazendo.
A situação começa a ficar mais tática no segundo estágio da doença, com os chamados Espreitadores. Passadas umas duas semanas da infecção, o fungo já tomou boa parte da cabeça e do corpo. O que torna o Espreitador um pesadelo é que ele não vem correndo desesperado; ele pensa. As criaturas ganham a habilidade de traçar estratégias mínimas, preferindo ficar entocadas em cantos escuros e úmidos. Eles te observam e esperam um momento de distração para atacar pelas costas ou escapar se a coisa ficar feia.
Quando a infecção passa de um ano, o jogo apresenta os famosos Estaladores. Esse é provavelmente o estágio mais icônico e aterrorizante de toda a série. A essa altura, o crânio do hospedeiro se abriu completamente em uma placa bizarra de cogumelo, destruindo os olhos. Sem a visão, a caçada vira puramente sonora. Os Estaladores usam ecolocalização para mapear o ambiente, emitindo aqueles ruídos perturbadores pelo cenário. Eles não precisam te ver; se você fizer um barulho mais alto, eles sabem exatamente onde você está.
Para os raros casos em que o hospedeiro sobrevive anos sofrendo essas mutações, a evolução atinge o estágio dos Baiacus. É a força bruta em sua forma mais nojenta. O fungo cria carapaças imensas que deixam a criatura inchada, extremamente pesada e resistente a tiros. Eles perdem completamente a mobilidade e andam de forma desengonçada pelos cenários, mas carregam uma força descomunal. Se um Baiacu consegue colocar as mãos no alvo, a morte é certa, já que eles literalmente despedaçam um corpo humano sem o menor esforço.
É justamente essa profundidade de lore e sobrevivência que faz os fãs respirarem a franquia o tempo todo. Só que a Naughty Dog deixou um vazio enorme quando decidiu focar apenas nas campanhas single-player e cancelar o tão aguardado jogo focado em multiplayer de The Last of Us Part II. A falta dessa experiência cooperativa ou competitiva deixou um gosto amargo na boca da comunidade.
Como a cena de PC não costuma esperar por milagres corporativos, a galera arregaçou as mangas e resolveu o problema na marra. Um grupo de modders pegou a versão The Last of Us Part II Remastered e começou a construir um modo multiplayer do zero desde janeiro. O negócio já tá tomando uma forma bem interessante, com um vídeo de uns 25 minutos circulando pela internet que mostra como o projeto funciona. Dá para ver confrontos diretos entre a Ellie e a Abby rodando em dois mapas diferentes. É o puro reflexo de uma comunidade que não se contenta com as decisões do estúdio e prefere recriar, linha por linha de código, o cenário de guerra que estava faltando.